quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Especialista defende Judiciário à frente do combate à litigância excessiva

O Poder Judiciário e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) devem liderar um processo institucional para reverter o excesso de litigância e os altos índices de congestionamento de processos. O esforço é essencial para se evitar “um colapso do Poder Judiciário”, segundo o professor André Ramos Tavares, especialista em Poder Judiciário e palestrante convidado do VIII Encontro Nacional do Poder Judiciário, que será realizado nos dias 10 e 11 de novembro em Florianópolis/SC. 

De acordo com o especialista em Direito Constitucional, o Judiciário e especialmente o CNJ devem exercer um “papel pedagógico” em convencer a sociedade de que nem todo conflito precisa ser levado à Justiça. Os números mais recentes apontam que uma confusão conceitual tem induzido a sociedade a promover a litigância crescente no país. Em 2013, 28,3 milhões de novas ações judiciais ingressaram na Justiça – 1,2% a mais que no ano anterior. 

“O acesso à Justiça sempre foi uma questão histórica, pois no passado efetivamente não havia acesso à Justiça, nem mesmo à sua versão mais reduzida, de acesso ao Judiciário. Com a redemocratização, chegamos a uma confusão entre acesso à Justiça e judicialização de qualquer discussão, de qualquer desentendimento. Acesso à Justiça não é levar toda a sociedade para dentro do Poder Judiciário. Isso é cultura do conflito. A solução é institucional e o CNJ tem de estar à frente do processo pedagógico de difundir a cultura das soluções não judiciais”, afirmou o professor, que integra os corpos docentes da Universidade de São Paulo (USP), da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e da Universidade de Bari, na Itália. 

Pessoas físicas, no entanto, não são as únicas responsáveis pela litigância. Ao recorrer em processos que envolvem benefícios previdenciários e o Direito à Saúde, por exemplo, o Estado também contribui para a cultura do litígio e uma de suas principais consequências, a chamada taxa de congestionamento (percentual de processos não julgados no universo de ações judiciais em tramitação), institucionalizando-as. Como a Justiça conseguiu julgar apenas 29% dos 95 milhões de processos que tramitaram em 2013, a taxa de congestionamento naquele ano foi de 70,9% – aumento de 0,9% em relação ao ano anterior. Na avaliação do especialista, “há, nesse quadro, um incentivo a alguns segmentos sociais e empresariais a fazerem uso desse modelo como forma de fuga de suas imediatas responsabilidades, reforçando a cultura do conflito, da judicialização e do congestionamento judicial”.

Segundo Ramos Tavares, o esforço institucional para mudar a cultura da litigância na sociedade brasileira ajudaria a reduzir a taxa de congestionamento à medida que diminuiria o número de ações propostas e, consequentemente, o percentual de processos não julgados. As estatísticas, no entanto, apontam para um diagnóstico pessimista, segundo o professor, com propostas que podem apresentar possíveis implicações negativas ao Estado Democrático de Direito, como a desconsideração de garantias fundamentais. O número de processos em tramitação em 2013 (95,1 milhões) é 12 milhões superior ao registrado em 2009. 

“A situação tende a piorar. Já estamos chegando perto de 100 milhões de processos em tramitação na Justiça, com defasagem estrutural e de modelos inovadores. Seria preferível agir imediatamente, em vez de aguardar o ponto de colapso, pois a crise maximizada potencializa medidas que podem ser desfavoráveis a direitos processuais e até fundamentais, como o direito à defesa e ao contraditório e ao livre exercício de posições processuais”, disse Ramos Tavares.

Aumento dos juros dias após a eleição confirma que Dilma mentiu na campanha, diz Aloysio Nunes




Candidato a vice-presidente na chapa de Aécio Neves (PSDB), o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) disse nesta quinta-feira (30) que o aumento da taxa básica de juros pelo governo federal três dias depois das eleições confirma o caráter "mentiroso" da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Ao longo da campanha, lembrou o senador, a candidata do PT afirmou que Aécio aumentaria os juros, caso eleito presidente -sem admitir oficialmente elevar a taxa Selic.

Financial Times destaca que Dilma faz o que acusou Aécio de querer fazer


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O site do jornal britânico Financial Times pública nesta quinta-feira, 30, reportagem sobre o aumento do juro no Brasil e destaca que a campanha eleitoral de Dilma Rousseff acusou o oponente de que eventual governo Aécio Neves (PSDB) teria aumento de juros, o que geraria recessão e desemprego.

Mãe consegue autorização na Justiça para tirar a vida da filha de 12 anos



Nancy Fitzmaurice nasceu cega e, com apenas 12 anos, sofria de hidrocefalia, meningite e septicemia, o que a deixou incapaz de falar, andar, comer ou beber.

A sua qualidade de vida era tão limitada que a jovem precisava regularmente de assistência médica para ser alimentada e medicada.

A mãe, Charlotte Fitzmaurice, teve, inclusive, que deixar de trabalhar para poder dedicar-se à filha. Até ao dia em que tomou uma difícil decisão e pediu autorização na Justiça para tirar a vida à jovem, de forma a acabar com o seu sofrimento.

Perante o apelo emotivo desta mãe, a Justiça acedeu ao pedido, concordando que os interesses em acabar com a vida da criança eram os melhores para que o sofrimento acabasse.

Mensagem de Whatsapp é usada como prova de suposta paternidade



Se há indícios de que um casal fez sexo durante o período fértil da mulher, é possível garantir que o suposto pai dê assistência alimentícia para a gestante. Esse foi o entendimento da 5ª Vara da Família de São Paulo, que reconheceu como indício de paternidade mensagens trocadas por um casal no Whatsapp (aplicativo de mensagens para celular) e exigiu o pagamento de R$ 1 mil mensais para a cobertura de despesas durante a gestação — os chamados “alimentos gravídicos”.

A sentença foi do juiz André Salomon Tudisco, que voltou atrás em sua própria decisão liminar e deu provimento ao pedido de uma mulher que teve um relacionamento fugaz com um homem depois que ambos se conheceram por outro aplicativo de celular, voltado para paquera, chamado Tinder. A decisão se baseou na Lei 11.804/2008, que arbitra pelo provimento de assistência alimentar até o nascimento da criança.

De acordo com Ricardo Amin Abrahão Nacle, da Nacle Advogados, que defende a gestante, o provimento para este tipo de ação, ainda que liminar, é “avis rara” nos tribunais de São Paulo. Segundo ele, há uma certa dificuldade na aceitação de documentos virtuais como prova de indício de paternidade. “A doutrina aceita cartas, e-mail e fotos, mas há uma grande resistência por parte dos juízes em aceitar elementos probatórios da internet, como mensagens pelo Facebook ou Whatsapp", afirmou.

Na petição inicial, Nacle argumentou que o teor das mensagens não deixava dúvidas de que houve relações sexuais sem preservativos durante o período de fertilidade da requerente.

A petição reproduz a seguinte conversa por mensagem, entre o casal, de fevereiro de 2014:

" Mulher: to pensando aqui.. Homem: O que Homem: ? Mulher: vc sem camisinha..Mulher: e eu sem pilula Homem: Vai na farmácia e toma uma pílula do dia seguinteMulher: eu ja deveria ter tomado Mulher: no domingo.. "

Outra conversa transcrita, referente a um mês depois, é a seguinte:

"Mulher: Amanha tenho o primeiro pre natal, minha amiga nao vai poderir comigo.Mulher: Sera que voce pode ir comigo? Mulher: A médica e as cinco e meia.Homem: Olá... Já estou dormindo... Bjo Mulher: Oi (...) tudo bem? Fui a médica, preciso ficar 10 dias em repouso absoluto. Minha irma e meu cunhado querem te conhecer. Vc. Pode vir este final de semana, podemos marcar um almoco ou um jantar? Beijos Homem: Bom dia! Fds vou trabalhar! Bjo"

O juiz concordou que a mulher tem direito à pensão, mas diminuiu o valor solicitado, por não se saber ao certo a renda do suposto pai da criança. “Nestes termos, levando-se em conta o binômio necessidade e possibilidade, fixo os alimentos gravídicos em 1,5 salário mínimo”, afirma na sentença.

Alexandre Facciolla



Íntegra da decisão


Processo Digital nº:
Classe - Assunto $OLPHQWRV /HL(VSHFLDO1ž $OLPHQWRV
Alimentado:
Alimentante:
Justiça Gratuita
Juiz(a) de Direito: Dr(a). $QGUH6DORPRQ7XGLVFR
Vistos.
1. Fls. 146/166 - Anote-se interposição de agravo.
2. Em juízo de retratação, reconsidero o pedido liminar.
Com efeito, não há controvérsia sobre a prática de relações sexuais. Além disso, os 
documentos juntados aos autos indicaram que elas ocorreram entre os dias 15 e 16 de fevereiro de 2014 e sem a utilização de métodos contraceptivos, nem pela requerente, nem pelo requerido.
Outrossim, nos termos do exame juntado a fls. 93, que indica estar a requerente na 
18ª semana de gravidez, possível verificar que o último dia da menstruação ocorreu em 07.2.2014. 
Deve ser esclarecido que o ciclo menstrual se inicia no primeiro dia da 
menstruação e esta, normalmente, dura 05 dias, bem como o período fértil se dá o 10º e o 15º dias do ciclo.
Portanto, como as relações ocorreram, provavelmente, no período fértil da 
requerente, presente o indício de paternidade, sendo devidos os alimento gravídicos.
No que diz respeito às necessidades, é cediço que a gravidez demanda diversos 
gastos, já que necessários diversos exames e a aquisição do enxoval, como bem demonstrado pelos documentos juntados aos autos.
Entretanto, ainda que seja o requerido titular de cotas de uma sociedade, não se 
sabe, ao certo, sua renda. Com efeito, apenas é possível verificar que contratou advogado particular para defesa de seus interesses.
Nestes termos, levando-se em conta o binômio necessidade e possibilidade, fixo os 
alimentos gravídicos em 1,5 salário mínimo.
3. Oficie-se ao Tribunal de Justiça, com urgência, com cópia desta decisão.
4. Designo audiência de conciliação, instrução e julgamento para o dia 24 de 
novembro de 2014, às 14:00hs.
fls. 208

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Crime organizado: o Brasil perdeu essa guerra (?)



01. O PT venceu, mas agora será naturalmente muito mais fiscalizado e cobrado que antes. Será que vai convencer? Dentre tantos outros desafios (crescimento econômico, redução da desigualdade, diminuição da inflação etc.), o controle do crime organizado (com respeito ao Estado de Direito) deve ser uma prioridade absoluta. Para que o estimado leitor se situe, as organizações criminosas no Brasil se dividiram em três grupos: 1º) o comandado pelos poderes criminais privados(organizações criminosas privadas do tipo PCC, CV, narcotráfico no Rio de Janeiro) ou paraestatais, como são as milícias; 2º) o comandado por políticos ou outros agentes públicos (essa é a criminalidade organizada estatal: os mensalões do PT e do PSDB bem como o caso Rosamary constituem exemplos paradigmáticos) e 3º) o comandado pelos poderes financeiros e econômicos (criminalidade organizada das empresas e dos bancos, sempre atrelados aos políticos – como é o caso, por exemplo, do escândalo da Petrobrás e do cartel do metrô em SP). Não temos aqui a sofisticação do crime organizado mafioso (a máfia siciliana disso constitui um exemplo), que constitui um “estado paralelo”.

02. Vamos cuidar desde logo do crime organizado privado comandado pelo narcotráfico no RJ. Nos próximos artigos abordarei o crime organizado público (comandado pelos políticos ou pelos agentes econômicos/financeiros). A chocante indagação do título deste artigo foi sugerida no dia 26/9/14, no Rio de Janeiro, na II Conferência Internacional sobre o Crime Organizado (coordenação de Ubirajara Chagas Favilla e Rafael Andreata), por um dos maiores especialistas do país, o juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira.

03. O crime organizado privado corresponde ao que a Polícia Federal (consoante entrevista de Oslain Santana, para oEstadão) chama de “grupos agressivos”, visto que “apelam para ações armadas, como ocorre no Rio [Comando Vermelho] e São Paulo [Primeiro Comando da Capital]. Eles são violentos (possuem inclusive Tribunais “internos”, que aplicam frequentemente a pena de “execução sumária”) e contam com apreciável poder econômico. Sua infiltração no aparelho estatal não é tão profunda” (O Estado de S. Paulo de 30.12.12, p. A3). O que caracteriza esse primeiro grupo é o comando privado ou paraestatal. Agentes públicos participam (agentes policiais, por exemplo), mas o comando da organização não está nas mãos deles. Estamos nos referindo aqui, portanto, a um tipo de crime organizado sem “grandes” infiltrações nas fileiras do Estado.

04. O diagnóstico flamante do juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, sobre o crime organizado privado no Rio de Janeiro (que ele conhece como ninguém), é o seguinte:

(a) trata-se de uma guerra perdida; o poder público fracassou; a repressão, por si só, perdeu a batalha. O traficante vende cocaína e nós (sociedade civil e política) vendemos para o povo o entorpecente legislativo [populista]; acreditamos ingenuamente que a lei resolve o problema [de 1940 a 2014 foram 155 reformas na legislação penal brasileira; nenhum crime jamais diminuiu, em médio prazo]; a lei está distante da realidade (o promotor Marcos Kac, outro conferencista, ratificou essa linha de raciocínio); as pessoas não acreditam no sistema jurídico; ninguém se entende no momento de prevenir e reprimir o crime; o agente público está desmoralizado; o crime organizado é o nosso EI (Estado Islâmico radical);

(b) na sua exposição o juiz invocou a emblemática frase do famoso criminoso William Silva Lima, “O professor”, que no livro “Comando Vermelho”, de Carlos Amorim, declarou: “Conseguimos [nós do crime organizado privado] aquilo que a guerrilha não conseguiu: o apoio da população carente. Vou aos morros e vejo crianças com disposição, fumando e vendendo baseado. Futuramente, elas serão três milhões de adolescentes que matarão vocês – a polícia – nas esquinas. Já pensou o que serão três milhões de adolescentes e dez milhões de desempregados com armas na mão?”.

[O Brasil realmente tem hoje mais de 3,5 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos fora da escola. Destes, metade corresponde a jovens de 15 a 17 anos. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011 e mostram uma queda em relação à pesquisa anterior, de 2009, quando foram registrados 3,7 milhões de crianças e adolescentes fora da escola].

(c) no Rio de Janeiro o Bope troca tiros todos os dias; cada PM carrega 28k em equipamentos (é nítida a dificuldade operacional); os criminosos, por seu turno, navegam sobre a leveza; são “madeireiros”: pulam de uma casa para outra, porque centenas delas estão ligadas por madeiras; quando correm sobre as tábuas vão derrubando algumas delas (tirando a possibilidade de uma perseguição por esses inusitados caminhos); cada arma especial da PM custa de 30 a 60 mil reais (esse dinheiro poderia ser utilizado de forma melhor em educação); estamos perdendo tempo com nossas vaidades;

(d) várias casas nas favelas estão unidas por túneis (como na Faixa de Gaza); servem de esconderijo e também para as fugas (são centenas de buracos por debaixo das casas); é impossível expedir um mandado de busca e apreensão com um só endereço (mirando uma só casa); as casas estão interligadas por meio dos túneis; toda estrutura de guerrilha está presente nesses locais;

(e) nos livros e nas faculdades fala-se em Caio, Mévio e Tício. Isso não tem nada a ver com a realidade; várias comunidades hoje vivem da criminalidade ou sob o império dela; os caminhões de gás, cerveja, ar condicionado etc. Não entram em alguns lugares, salvo se pagarem “pedágio”; muitas comunidades fazem “gato” (subtração de sinal) na internet, na telefonia, na luz etc.; são “estados” paralelos;

(f) o tráfico é glamour (muitos jovens e também moças se exibem em fotos portando fuzis); as armas e o dinheiro empoderam essas pessoas;

(g) são incontáveis as mortes de PMs; outros são presos e muitos ficam paraplégicos; 70% saem estressados para a rua; vários se suicidam e centenas são dependentes de drogas;

(h) os agentes infiltrados não possuem garantias; ninguém vai querer ser agente infiltrado. Com a atual estrutura, a chance de a lei nova sobre o crime organizado deter a criminalidade é bastante reduzida.

05. Conhecer a realidade, sobretudo quando totalmente preocupante, faz com que despertemos nossa consciência. Só a partir disso é que tomamos conhecimento de algo bem diferente do que sonhávamos ou imaginávamos. Muitos ainda sonham que o controle do crime organizado deve ser feito por meio da violência. Nada mais equivocado. É pela inteligência e pela prevenção que isso se torna possível (aniquilando-se o poder econômico do grupo). Quando dormimos não controlamos nossos sonhos. Quando estamos acordados o normal é pensarmos que somos livres para eleger os caminhos adequados. Ocorre que também esses caminhos podem ser equivocados. Demoramos, muitas vezes, para perceber que, na verdade, não estávamos acordados, sim, continuávamos dormindo, ainda que de maneira diferente, por força de uma ilusão.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Otimistas tem mais chance de aprovação



Especialistas apontam que encarar os desafios de forma positiva ajuda a assimilar o conteúdo estudado e a passar em provas de concursos.

Pessoas otimistas têm mais chances de aprovação em concursos, menor pré-disposição a doenças e relacionamentos mais sadios, entre outras vantagens, apontam especialistas.

Segundo o psicólogo e mestre em Educação Vanedson Ximenes, pessoas otimistas têm mais chance de ter sucesso, pois encarar os desafios da vida de forma positiva impulsiona as pessoas a progredir e enfrentar riscos com coragem. “O otimista leva vantagem por encarar a vida de forma positiva, isso o torna mais resiliente diante dos desafios”, explica.

A atitude constante de otimismo também ajuda os candidatos a concurso, por exemplo, a desenvolver defesas orgânicas, evitando doenças, além de melhorar os rendimentos nos estudos, afirmou o médico psiquiatra Ailton Vicente Rocha. “Pessoas de bem com a vida, que buscam se conhecer e ter atitudes positivas melhoram a memória, assimilam mais rápido o conteúdo, e evitam doenças”, disse.

Para a presidente da Associação de Psicologia Positiva da América Latina, Daniela Levy, é possível aprender a ser otimista por meio da identificação e do monitoramento do pensamento negativo.

Segundo o diretor do Curso França Junior (CFJ), Luiz França Junior, o aluno que é otimista carrega uma energia positiva e ganha disposição para alcançar mais rápido a aprovação. “É imprescindível para o melhor desenvolvimento do candidato nos estudos, que ele esteja de bem com a vida”.

Confira cinco vantagens de ser otimista

#1. Os otimistas são mais motivados, por isso insistem mais e conseguem ir mais longe.

#2. O sistema imune funciona melhor, evitando doenças. Mesmo que elas ocorram, otimistas se recuperam com mais prontidão, ao acreditar na eficácia do tratamento.

#3. Não desistir diante da primeira dificuldade, como no caso de reprovações, e acreditar que as coisas vão acabar bem ajuda os otimistas a superarem momentos difíceis.

#4. Pessimistas estão oito vezes mais propensos a se deprimir quando algum evento ruim acontece em suas vidas.

#5. Pessoas otimistas estão mais pré-dispostas a assumir riscos e, por isso, avançam nos seus objetivos de forma mais rápida.

“Ser otimista ou pessimista é uma questão de escolha, uma atitude mental"

Cada pessoa decide por si mesma a ótica sob a qual verá o mundo. Acreditar em você é olhar para o futuro e visualizar a vitória, é escrever a sua própria história sem comparar os resultados de outras pessoas, é desenvolver sua potencialidade e capacidade de superação para atingir todos os seus objetivos.

É ainda vencer as inseguranças com motivação, medos com ousadia e reconhecer que cada dia pode ser um novo ponto de partida, um recomeço. É saber que as coisas podem ser melhores e que vale a pena tentar outra vez.

Ser otimista é reconhecer que vale a pena vencer, apesar de todos os desafios e não poucos obstáculos encontrados na jornada de preparação para concursos públicos.

Ser pessimista é escolher a forma mais fácil para desistir e usar as adversidades como desculpa para não fazer nada. A vantagem de ver um concurso com otimismo e confiança é entender que o sucesso depende somente de você, dos seus estudos e seu desempenho na prova.

Day after. E agora Brasil?



01. Se uma garrafa tem água até sua metade, ela está “meio vazia” ou “meio cheia”? Como devemos encarar esse fenômeno: com otimismo (meio cheia) ou com pessimismo (meio vazia)? De acordo com a pesquisa global da Telefónica com os “millennials” (jovens entre 18 e 30 anos), realizada pela Pen Schoen Berland, de junho a agosto/14, 9 em cada 10 jovens brasileiros (nessa faixa etária) estão otimistas com o futuro (estão satisfeitos com a vida pessoal); 3 em cada 4 acreditam que os melhores dias estão por vir; 43% estão com emprego estável e 20% com empreendimento próprio; pensam (dois terços deles) que a educação é a chave para a formação pessoal; a escola só perde em relevância para a família (79%) e ganha da religião (41%); 55% usarão as redes sociais para documentar, denunciar e divulgar suas necessidades, deslizes e abusos de quem quer seja (veja Flávia Oliveira Globo 19/10/14: 48). Frequentemente temos a impressão de que o otimismo faz parte do DNA do brasileiro.

02. Contrariando todos os prognósticos dos especialistas econômicos, o Datafolha sinalizou (há uma semana) uma virada na onda eleitoral e isso teria como causa o otimismo do brasileiro com o futuro da economia. Descrença, repúdio e massacre total (nas redes sociais) contra essa constatação. Mas isso já tinha ocorrido antes. Em 1998, Fernando Henrique venceu no 1º turno (com 53% dos votos válidos). A inflação estava em 1,7%. Os demais indicadores econômicos (daquele ano) não lhe eram favoráveis: crescimento econômico zero, aumento do desemprego (taxa de 10%) e arrocho nos salários. O povo, no entanto, acreditava no seu poder de domar e controlar a inflação. Isso lhe deu a vitória (veja José Paulo Kupfer Globo 24/10/14: 17).

Esse mesmo articulista levanta a seguinte hipótese (em relação a 2014): será que o mercado de trabalho (baixa taxa de desemprego, menos de 5%) e o aumento do consumo (da classe C) não cumpriram eleitoralmente neste ano o mesmo papel que o controle da inflação representou em 1998? Apesar de todos os problemas, os brasileiros (pesquisas Ipsos), de 2010 a abril de 2014, sempre ocuparam o primeiro lugar no ranking dos otimistas com a economia (hoje, atrás dos indianos, os brasileiros ocupam a 2ª posição com 57% acreditando no futuro da economia). A classe C, que gastou R$ 1,2 trilhões em 2013, já representa 50% do consumo no Brasil. Ela entrou no mercado de consumo para ficar.

Saindo do campo subjetivo do otimismo e entrando na realidade objetiva: entre 1985 e 2012, o crescimento médio do PIB brasileiro (per capita) foi de apenas 1,4% (Marcos Mendes, Por que o Brasil cresce pouco?). O melhor período foi 2004-2012 (2,8%). Em 2013 o aumento foi de 2,3%. O desempenho do Brasil de 1985 a 2010 (1,3%) é considerado fraco, diante da Colômbia (1,6%,), Peru (1,8%), Argentina (1,9%), Espanha (2,1%), Portugal (2,4%), Chile (4,2%), Índia (4,4%), Coreia do Sul (5,4%), China (8,5%) etc. Mesmo crescendo pouco, a realidade brasileira em números é a seguinte: milhões de pobres (maioria deles) beneficiados por programas assistenciais, classe C (mais 100 milhões de pessoas) consumindo mais de R$ 1 trilhão por ano, maior parte da classe média alta com bons salários e/ou ganhos (quando comparados internacionalmente) e classe rica cada vez mais rica (os 10% mais ricos no Brasil possuem agora 73% da riqueza do país; 225 mil pessoas são milionárias; 1,9 mil são bilionários – Valor 15/10/14: D2). Compreender o Brasil é uma tarefa bastante complicada.

Conclusão: se diante do baixo crescimento econômico os povos no mundo todo não se suicidam coletivamente nem se autodissolvem (Cristóbal Montes), com muito mais razão não farão isso nunca os brasileiros (que amam viver, sobretudo com muito otimismo). Nem mesmo depois de uma eleição renhida (marcada por pancadarias no atacado e no varejo) o Brasil chegará ao fim. Saiu rachado da eleição? Sim, mas o Brasil sempre foi dividido (pelo apartheid socioeconômico). De qualquer modo, a oposição ficou muito mais forte. Juntar os cacos quebrados depois de uma eleição não é tarefa fácil, mas isso não significa o fim do mundo. Somente depois da redemocratização (1985), esse fenômeno já ocorreu 7 vezes. O Brasil não melhorou tanto quanto gostaríamos, mas tampouco acabou. Quando nos convencemos de que nunca vamos triunfar, a consequência nefasta é a de que abandonamos qualquer tipo de esforço transformador. Pior: nem sequer mantemos nosso ânimo elevado, confiando no nosso crescimento e na nossa evolução como seres humanos. A julgar pelo que dizem, os brasileiros, por ora, seja pelo otimismo, seja pelas condições das maiorias em todas as classes sociais (pobres, classe C, classe média alta e ricos), estão longe desses males devastadores.